DIA INTERNACIONAL DA MULHER
A jornalista e escritora Constanza Miriano
fala sobre o Dia Internacional da Mulher
ROMA, Itália - A jornalista Constanza Miriano está
longe do estereótipo da feminista. É profundamente católica, mas muito diferente
do estereótipo da garota que cresceu na capela.
Seu primeiro livro "Sposati e sii sottomessa"
(Vallecchi) foi o acontecimento editorial do ano passado, acabando com todos os
clichês sobre as mulheres e as famílias de hoje. Na entrevista que deu a Zenit,
Constanza fala sobre os temas abordados por ela, com sua ironia habitual
"Chestertoniana" (ortodoxia).
O dia 08 de março é uma festa que é um
"totem" para as feministas. Outras mulheres, no entanto, querem
aboli-la...
Constanza Miriano: Eu pertenço à
segunda categoria! Hoje em dia eu vejo uma situação de desequilíbrio a nosso
favor, no sentido de que não vejo tantas mulheres discriminadas, exceto nos
casos em que não quero desprezar, de abusos. Pelo contrário, vejo a figura do
homem cada vez mais degradado, débil, sentimental, forçado a cuidar e
desenvolver papéis que não são propriamente masculinos. Falar do homem como
autoridade, enérgico, forte equivale quase a insultá-lo, chamando-o de tirano ou
machista. Mas acredito que os papéis devem ser absolutamente redescobertos e
valorizados, já que um complementa o outro. Assim, com as reivindicações
feministas, eu não compartilho.
Se eu desligar a televisão, se eu fechar o jornal, se
eu olhar para as mulheres "de carne e osso" que conheço, as reivindicações que
fazem são sobre a maternidade, sobre os filhos; não querem ser obrigadas a
trabalhar, ou muito menos querem fazê-lo, dando uma contribuição para a
sociedade, sendo forçadas a deixar seus filhos por um tempo irracional. Acho que
esta é a verdadeira batalha: a da mãe.
Em termos de "emancipação" a batalha está totalmente
ganha: se pensamos na minha diretora, Bianca Berlinguer, e na minha diretora
geral, Lorenza Lei, são mulheres... Para conquistar papéis de "poder", que tem
tempos e modos masculinos, as mulheres devem deixar de lado a família, a parte
humana.
Nos últimos quarenta anos quem está com seu
papel distorcido, o homem ou a mulher?
O Papa Bento XVI propôs, como intenção de
oração para março, o reconhecimento da contribuição das mulheres para o
desenvolvimento da sociedade. Que tipo de reconhecimento espera o Santo Padre na
sua opinião?
Constanza Miriano: Não o
reconhecimento das partes rosas! Eu acredito que pretenda que as mulheres
redescubram a beleza do seu papel, particularmente o maternal. Nós somos as
primeiras a esquecer desse papel ou a colocá-lo entre parênteses. Como o próprio
Papa escreveu na Carta sobre a colaboração entre homem e mulher, a mais nobre
vocação para as mulheres é despertar o bem que existe no outro, para promover
seu crescimento. É ela que primeiramente doa a vida ao filho e depois àqueles ao
redor dela, com sua capacidade de valorizar os talentos, de se relacionar, de
acolher, de mediar, de ver as coisas a partir de múltiplos pontos de
vista.
O homem, mesmo na família, tem uma espécie de amor
mais voltado para fora, é aquele que constrói no mundo do trabalho, que fecunda
a terra. O homem caça e a mulher colhe! Tenho certeza de que o Papa não se
refere às batalhas feministas, mas espera que as mulheres tornem a abraçar o seu
papel, porque, como tudo o que a Igreja nos ensina, é para nossa felicidade mais
profunda. Vejo muitas mulheres que têm negado esta parte mais feminina da
vocação, que investiram tudo no trabalho, ou melhor, na carreira, renunciando
aos filhos e, no final, sofrem.
Qual foi o modelo feminino em sua
vida?
Constanza Miriano: Eu tenho muitas.
Mulheres que sabem 'espalhar a vida' adiante são profundamente cristãs. Duas
delas, aliás, são mães de seis filhos: uma optou por ficar em casa, a outra em
ser médica. Esta última, com uma atividade particular, então flexível como o
tempo, conseguiu harmonizar bem família e trabalho.
Penso, no entanto, na Irmã Elvira, da Comunidade
Cenáculo de Saluzzo, que é mãe, de outra forma, de milhares de crianças. Antes
dela, tivemos um monte de santas: Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux, Catarina
de Sena, Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), Gianna Beretta Molla, todas
mulheres muito fortes e corajosas que me inspiram e que eu gostaria de ser
semelhante.
O mundo do entretenimento, da TV e dos
filmes, dá uma ênfase particular sobre a beleza feminina, muitas vezes, não na
moldura do bom gosto e da elegância. Os meios de comunicação podem devolver a
dignidade à mulher?
Constanza Miriano: Um justo cuidado
de si mesmas como mulheres não é ruim. Nós, mulheres católicas, às vezes nos
iludimos que cuidando do espírito podemos cuidar menos do corpo. Mas acredito
que para uma mulher casada é quase um dever ser agradável. Eu mesma adoro ser um
pouco vaidosa e "superficial"! Muitas vezes eu tenho as encíclicas do Papa
borradas de esmalte... Não vejo conflito entre a beleza física e a espiritual.
Eu amo o esporte e pratico muito. A beleza é um dom: deve ser acolhido,
cultivado e guardado, claro, sem "jogar pérolas aos porcos", sem ser exposta de
maneira vulgar. No final, o que vemos na televisão é o resultado natural da luta
feminista.
Acho que os meios de comunicação podem restituir a
dignidade da beleza feminina, não censurando ou condenando, nem destacando o
mal, mas mostrando que a verdadeira beleza e a verdadeira felicidade é outra
coisa. Nosso desafio como católicos não é ser moralista ou preconceituoso. Não é
isso que convence o coração. Precisamos mostrar uma beleza maior, testemunhando,
mesmo com esmalte e bronzeada, que a verdadeira felicidade é outra. Não é certo
dizer que uma mulher que tem muitos filhos e vive toda uma vida com um único
marido deve, necessariamente, "enfeiar-se". Nosso desafio, como católicos, é
mostrar a razoabilidade profunda da fé e a miséria profunda e inevitável que vem
de não acreditar. Eu não acho que pode haver felicidade sem Deus, nossos
corações são feitos para Ele. Nem mesmo para Brad Pitt e Angelina Jolie vai
haver felicidade sem Deus!
Por Luca Marcolivio
Tradução: MEM
Fonte: www.zenit.org
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